Como organizar uma jornada de compra que não é linear
- DNA Criativo

- há 2 dias
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A jornada de compra não é mais linear — e seu marketing precisa acompanhar. Entenda como usar funil, dark funnel e o modelo dos 4S para atrair e converter clientes com mais estratégia.

O funil de vendas tradicional — com suas etapas bonitinhas de topo, meio e fundo — ainda é útil.
Mas se você ainda acha que o cliente segue esse caminho de forma previsível, precisa rever suas estratégias.
Porque hoje, o consumidor decide no tempo dele, do jeito dele.
E a sua marca precisa estar preparada para aparecer antes, durante e depois dos momentos de decisão.
A jornada de compra mudou. E ela é tudo, menos linear.
Hoje, o cliente:
– Pesquisa no Google.
– Pede indicação em grupo no WhatsApp.
– Vê um vídeo no TikTok.
– Esquece do assunto por semanas.
– É impactado por um anúncio.
– Clica. Sai. Volta.
– Manda uma DM no Instagram.
– Compara preços com concorrentes.
– Decide… quando já tem certeza.
E muitas vezes, quando ele fala com você, a decisão já está tomada.
Ou quase.
Isso é o que chamamos de jornada não linear.
E ela tem três características principais:
1. O cliente está no controle.
Ele consome conteúdo no ritmo dele, não no seu.
Ele não quer ser empurrado — quer ser informado e ter autonomia para escolher.
2. O processo é fragmentado.
A jornada envolve múltiplos canais e toques, nem sempre rastreáveis.
Nem tudo vai passar pelo seu CRM.
3. A confiança se constrói fora dos seus domínios.
Ela se constrói em bastidores, bastidores que você nem sempre vê:
conversas privadas, indicações, avaliações, experiências passadas.
O que é o dark funnel?
É o conjunto de interações e influências que não são rastreáveis pelos sistemas tradicionais.
É quando o lead decide te procurar porque:
– Te viu sendo recomendado em um grupo privado
– Lembrou de um post antigo que salvou no Instagram
– Um cliente seu falou bem numa reunião com ele
Nada disso aparece no Google Analytics.
Mas influencia diretamente a decisão de compra.
Ignorar o dark funnel é como tentar medir um iceberg olhando só para a parte visível.
E o que são os 4S?
Um modelo de comportamento do consumidor que ajuda a mapear a jornada atual:
Searching (Busca): quando o cliente está investigando, pesquisando problemas e soluções.
Scrolling (Descoberta passiva): quando ele consome conteúdo sem intenção clara, mas é impactado por marcas e ideias.
Streaming (Aprendizado): quando ele mergulha em vídeos, aulas, reviews, aprendendo mais sobre a dor ou sobre o mercado.
Shopping (Compra): quando decide comparar, orçar, negociar e decidir.
Se a sua marca só aparece no último S (Shopping), você perdeu os momentos anteriores.
E perdeu a chance de moldar a decisão.
Como adaptar sua estratégia?
Se você entendeu que a jornada não é linear, então sua estratégia também não pode ser.
1. Pense em multiformato e multicanal
Esteja onde o seu cliente consome informação, não só onde você quer vender.
Isso inclui: Instagram, YouTube, WhatsApp, Google, LinkedIn, grupos, email, etc.
2. Crie conteúdo para cada momento
– Para quem ainda não sabe que tem um problema
– Para quem já sente a dor, mas não conhece a solução
– Para quem está comparando
– Para quem precisa de um empurrão final
3. Eduque, não empurre
Quem ensina, influencia.
Quem pressiona, afasta.
4. Prepare o comercial para leads quentes e mornos
O time de vendas precisa saber que nem todo lead está no mesmo momento.
E que não é função dele “forçar” a decisão. É função dele ajudar o cliente a decidir melhor.
A nova régua de conteúdo e vendas
Em vez de seguir um funil linear, pense em uma espiral de influência.
Você precisa aparecer mais de uma vez, de formas diferentes, em momentos diferentes — até que o cliente sinta:
“Essa marca me entende.”
“Essa marca pode me ajudar.”
“Agora faz sentido comprar.”
Você não controla a jornada.
Mas pode influenciar cada ponto dela.
E quem entende isso começa a jogar um jogo muito mais inteligente:
o jogo da presença constante e útil, que constrói preferência ao longo do tempo.
Seja na busca, no scroll, no streaming ou na hora da decisão.
Porque marcas que entendem o comportamento do consumidor param de gritar na etapa da venda — e começam a plantar nas etapas invisíveis.



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